20.5.04

TENHO DE TRATAR DISSO: Quando vejo pessoas a discutir os seus nomes preferidos para bebés, não consigo deixar de pensar nos meus nomes preferidos para ditadores. E a propósito disso, não posso deixar de transcrever algumas passagens dos recentemente descobertos cadernos (uma espécie de diários) que Hitler mantinha durante os seus primeiros anos de escola.

Braunau am Inn, 6 de Outubro de 1899: A sério, cada vez que eu olho melhor para a minha irmã, mais me parece que o nariz dela é enorme. Não sei porque, mas isso parece-me feio. Tenho de tratar disso.

Braunau am Inn, 8 de Outubro de 1899: Hoje na escola fiz um desenhos muito bonitos, com uns rapazes louros e fortes de olhos azuis. A Frau Milner gostou, mas comentou que os narizes deles eram muito pequenos. Agora que me ponho a pensar, o nariz dela é brutal. Tenho de tratar disso.

Haselbach, 9 de Outubro de 1899: Hoje não estou em Braunau am Inn.

Braunau am Inn, 12 de Outubro de 1899: Ontem fui com o papá e a mamã ao senhor doutor, que se chamava Dr. Bergstein. Ele espetou uma agulha e fez doidói. A partir de ontem não gosto de pessoas cujo nome seja como o dele. A propósito, o nariz dele também era enorme. Tenho de tratar disso.

[...]

Braunau am Inn, 20 de Abril de 1900: Hoje o menino faz anos. O papá, apesar de eu já ter onze anos, insistiu em chamar um palhaço para animar a minha festa. Ele tinha um nariz do mais monstruoso que eu já vi. Não gostei. Tenho de tratar disso.

Braunau am Inn, 22 de Abril de 1900: A Frau Milner continua a desautorizar-me. Hoje, quando lhe disse que ia ser um pintor famoso, ela disse 'não diga disparates, menino Adolfinho'. E aquele nariz continua a provocar-me. Tenho de tratar disso.

Braunau am Inn, 23 de Abril de 1900: Que giro, hoje tivemos outra professora, a Frau Tillberg. Parece que a Frau Milner apareceu morta com um tubo ligado a uma botija de gás enfiado no nariz. Eu sempre disse que o nariz era enorme: o tubo era de 15 mm. Só que esta tem 'berg' no nome. E um nariz igualmente grotesco. Tenho de tratar disso.

Braunau am Inn, 26 de Abril de 1900: Hoje, no caminho da escola para casa, uma senhora disse que eu um dia ia matar muitos milhões de pessoas. Eu disse 'tenha juízo' e dei-lhe uma pancada seca na nuca. Porque eu ainda comecei agora a escola e não sei quanto é um milhão. Agora tenho aqui um cadáver debaixo da cama e não sei o que lhe fazer. Se eu tivesse umas grandes furnas podia queimá-lo. Tenho de tratar disso.
RC

2 Comments:

At 11:17 p.m., Blogger armazém 42 said...

q horror... JG

 
At 11:47 p.m., Anonymous Anónimo said...

esqueci-me duma coisa: "beatriz / guilherme".


P.S.: Beatriz está em dúvida porque (e eu sei que isto agora te vai interessar muito), o meu instinto maternal* me diz que a geração vindoura vai estar infestada de beatrizes. Sim, é verdade, o meu instinto maternal** leva-me a elaborados cálculos mentais (exactamente no mesmo grau de dificuldade de: "x.cosx=senx") sobre a relação etária entre estas criaturas de 3, 4 anos e a minha futura cria.
Agora vai lá fazer comédia com isto.

*ou então é só o facto de cada vez que saio à rua me vir uma pirralha contra as canelas e, logo a seguir, o berro estridente da respectiva anexada progenitora "Beatriiiiiiiiiiiiiz".

**ou então substituir aqui "instinto maternal" por "vontade louca e desenfreada de agradar e parecer bem a pessoa cujos instintos e intenções estão no sítio certo."

JG

 

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