26.11.04

O ARGUMENTO DEFINITIVO: Quando disseram a Hitler, 'você foi um porco, você matou não sei quantas pessoas, você foi indecente', ele limitou-se a responder 'eu sou uma mulher grávida!', e pronto, já tinha desculpa. RC

22.11.04

PONTO DE FUGA: Hoje fiz a perspectiva mais forçada desde que Leonardo da Vinci fez um paralelipípedo em perspectiva parecer-se com um barquinho de papel. 'Desculpem, quem é que inventou isto? Ah, pensei'. RC

21.11.04

GOTA DE ÁGUA: Queria deixar neste momento um poema da minha autoria que se chama 'Gota de Água':

'Gota de água
Cais
Prloc
Gota de água
Cais
Prloc
E se um dia caires
Gota de água
Sem ser numa poça
De gotas de água?
Cais
Não prloc
Gota de água
Cais
Não prloc.'


Obrigado.RC

BIGODE: Acho todos os senhores de bigode muito respeitáveis. Se aquele senhor de bigode defende com tanta convicção o pudim mandarim, eu não posso senão acreditar nele. RC

A GRANDE NOITE DE TODOS OS EXPERIMENTALISMOS CULINÁRIOS: Quando nos propomos a fazer uma coisa destas é só porque já sabemos uma coisa. Podemos ligar para o 112 mesmo com o telemóvel bloqueado. Há duas fases essenciais, a fase das compras e a fase da concepção das coisas de comer. Quando logo na fase das compras precisamos de 8 pessoas responsáveis dos supermercados para nos dizerem onde é que está o milho para as pipocas, algo nos diz que isto não vai correr bem. Acho até que se procurarmos bem na Bíblia encontramos a resposta para a Questão da Vida Eterna associada à correcta localização de um pacote de milho no meio de um supermercado. 'Nós fazemos muito lucro, nós temos cá tudo, pergunta-nos onde é que está o milho?, não sabemos'. Agora acho que vos devo falar de gengibre. Gengibre é uma raíz que nasce lá na Índia, conhecida pelas suas propriedades laxantes, estimuladoras da circulação e do metabolismo. Em algum lado diz que deve ser usado numa receita de bolo de chocolate? Não, de facto não. RC

17.11.04

No dia 17 de maio (maio...) nasceu este projecto de parvoíce, seis meses depois, o império alargou-se, mitos foram criados, já fomos ao audio, já fomos ao video, já escrevi às cinco da manhã debaixo das pinhas da Zambujeira, já escrevi em comboios, metro, já apontei para um poste de electricidade, 'aqui estão os Himalaias', já gravei dois discos, a guitarra já tem cordas novas, e o império continua a alargar-se, tenho projectos, tenho ideias, tenho apresentação de projecto amanhã, e eles lá falam nos 'textitos', desprezo, já agora se alguém comentasse os meus posts eu agradecia, o império alarga-se, vamos ser grandes, 'vamos?' - 'vamos'. RC

CIDADES DE ESFEROVITE: Frank Lloyd Wright (grande arquitecto mundial e musicien extraordinaire) está a preparar o seu segundo CD, intitulado 'Cidades de Esferovite'. Este novo trabalho vai seguir-se ao CD de estreia, 'Pulsos' - grande êxito junto da crítica especializada e de pessoas com problemas - e vai apresentar um salto em frente em termos de riqueza melódica, profundidade conceptual e ainda em número de faixas. 13 faixas (4 delas de bónus, ou seja, daquele senhor dos U2) abordam temas tão aparentemente incompatíveis como extraterrestres, esferovite, Picasso, o sistema digestivo, psicanálise, o Natal e mais esferovite. Como qualquer processo normal de gravação de um CD, estamos agora na fase em que o arquitecto está a gravar nos nossos estúdios com a ajuda da sua guitarra e de novos e elaboradíssimos processos de sonoplastia. Em recentes declarações à imprensa (OK, a um jornalista amigo que veio cá a casa tomar um café), Frank Lloyd disse estar muito entusiasmado com o processo de criação de novas músicas, chegando quase a 'explodir dentro das calças de tanto prazer'. Este é um CD muito mais intelectual, segundo a visão de 'l'architecte fantastique': 'Falamos em Picasso e em Freud. E em autoclismos. Parece-me um produto equilibrado. É um produto equilibrado, não é?' RC

10.11.04

FRIO: Tenho frio no nariz. E o nariz é uma das partes do corpo mais descriminadas em relação a protecções para o frio. Parece-me que o Batatinha tomou a opção de carreira que tomou porque tinha frio no nariz. RC

9.11.04

Hoje, o Radar Especial de Natal, com um dos Reis Magos (não se sabe qual), o pior trocadilho de todos os tempos e suco pancreático. RC

8.11.04

GASPAR, MELCHIOR E BALTAZAR: Se os Reis Magos levaram aquelas prendas boas ao menino, foi porque acumulava a prenda de anos com a do Natal. Senão, só lhe tinham levado, por exemplo, o ouro e uma caixa de Legos. RC

6.11.04

NAPOLEÃO: 'É com os meus generais que eu aprendo muitas coisas da vida. Foi com um deles que eu vi pela primeira vez pó transformar-se em carne. Ele disse-me 'olhe uma coisa tão jeitosa que eu encontrei no outro dia no Lidl', e eu disse-lhe assim 'você vai ao Lidl? você é doido! você compra os sacos?' e ele disse 'compro', e eu 'você não tem juízo nenhum!'.' RC

4.11.04

SUDOESTE: Cinco da manhã. Ó Elsa! Num pinheiro alentejano (olha que ainda me cai uma pinha na cabeça) uma placa de estrada diz que ali é Esmoriz. Que aqueles são Esmoriz. Um capacete de agulhas de pinheiros (excelente tempero) e de pinhas (olha que ainda me cai uma pinha na cabeça) cobre a palha, a erva seca, dividida por cordas (deixam-me pendurar aqui este preservativo?) e fitas vermelhas e brancas, área restrita, onde as tendas de campismo vão traçando trilhos. Pó. Não é pó, é fumo. Não é fumo, é ganza. Ó colega, não tens aí uma mortalha? Não, não tenho. A 400 metros dali, a música. Mais palha no chão, arrancada em fúria a cada música nova. Mais uma, quatro ou oito tempos, quatro ou oito minutos, enquanto tocam estes gajos vou ali, já venho. Quer um preservativo? (sabor a morango). Mais pó, mais fumo. Ácidos, pastilhas apregoados e vendidos como copos de gelado atirados para o chão. Restos de cerveja (qual foi a ideia? cerveja e limão?) molham o chão, a palha seca arrancada ao ritmo de um quaternário que já não se suporta. O fumo filtra a luz dos holofotes, o som das colunas, a imagem das telas (este realizador não tem jeito nenhum para isto, num solo de bateria faz-me um plano fixo do baixista, achas normal?), os cabos pisados, o chão coberto pelo plástico dos copos vazios. Isto é grande. Não é assim tão grande, em cinco minutos estamos no palco principal. Cinco minutos, faltam cinco minutos para o Neil. Oitava fila, alinhado pelo meio do palco (os cabos debaixo dos pés), acima só o chapéu da optimus e o céu escuro. Ó Elsa! O plástico das tendas, impermeável (está a chover cá dentro, não está?), um recinto em mais pequeno. Sem fumo, sem ganza, sem música, sem palha, dois metros quadrados de plástico (super bock green, grátis, mas é lá ao fundo, cinco minutos, 500 metros, coisas para comer, comprar, gorros, calças, vais lá e trazes-me uma fita para o cabelo, em preto, pede em preto), e a vida natural, ainda vou ser mordido por alguma bicheza, tudo isto debaixo da luz (trouxeste a lanterna?) dos holofotes (argh, uma pinha) e dumas coisas que se partem para dar luz. Gafanhotos. E de dia? Parece mais pequeno, o sol revela os trilhos e acompanha-nos enquanto esperamos que pó se transforme em carne. Eu vi. RC

2.11.04

O leitmotif da edição de hoje é Napoleão. Judeus, a Branca de Neve e os sacos de plástico do Lidl também fazem participações especiais. Eu conheço Napoleão desde pequenino. RC

1.11.04

Não sei quantos anos depois de Deus ter dito aos seus colaboradores 'Hoje é o teu dia. Não, é o teu dia. Não, é o teu. Pronto, é o dia de vocês todos. Ai...', o Radar volta com um pato com voz diabólica, Sigmund Freud e a perspectiva teológica de Romeu e Julieta. Canela? RC