12.12.04

CUBA: Quando Deus (conhecido criador do mundo e apreciador de charutos) visitou Cuba pela última vez (desta vez em passeio e não para arranjar umas coisas que tivessem ficado mal feitas naquela semana de trabalho louco), uma das paragens foi a residência oficial de Fidel Castro. Depois de ter percorrido o circuito turístico habitual, La Bodeguita del Medio, a mesa de Hemingway, os carros dos anos 50 e as cubanas (razões meramente artísticas, aliás, semelhantes às razões que faziam com que Picasso só conseguisse dormir se o Guernica lhe fizesse festas na cabeça), Deus conseguiu uma visita exclusiva à casa de Fidel. Fidel estava no seu quarto. Desde 1979, quando Castro teve uma gripe assim mais forte, clones robóticos do presidente tinham começado a ser feitos e, desde essa altura, se batermos na testa de Fidel ouve-se um 'clank'. Fidel, o verdadeiro, está deitado na sua cama com um telecomando, controlando os passos do seu clone mecânico num ecrã gigante semelhante ao da final do Euro 2004 na Praça da Cordoaria. Depois de entrar no quarto, e depois de fazer uma benção colectiva às mais de 10 mil pessoas que estavam lá aos berros, Deus teve uma conversa com Castro. Fidel matou Deus, chamou Nietzsche que estava debaixo da cama para o seu lado e continuaram os dois a olhar para o ecrã, apesar de acharem que os outros estavam a jogar muito à defesa. RC+DS