21.5.04

COLECCIONANDO BEXIGAS: Abriu ontem, no Metropolitan Museum of Art, a mais controversa exposição de arte visceral desde que um artista desconhecido se propôs a cortar os lóbulos das orelhas de todos os visitantes do museu para fazer a sua derradeira obra, de título 'Não sei bem o que é, mas tem vermelho'. Martin Friedmann abriu ontem as portas do MoMA para apresentar a sua colecção de aparelhos urinários humanos. O que se segue é a transcrição de um dos textos escritos pelo artista para serem ouvidos nos AudioGuides do museu.

‘Esta primeira obra que podem ver é o primeiro órgão humano que eu retirei, curiosamente a uma pessoa que me disse, nunca mais me esqueço: ‘o que é que está a fazer? ponha lá isso no sítio outra vez.’ É, como todos podem ver, uma bexiga, e o facto de ter escolhido envolvê-la com papel de embrulho de Natal, por acaso até com uns Pais Natal desenhados, prende-se com o facto de eu não ter, à altura, nenhuma embalagem de película aderente. Toda a gente que se dedica à remoção de órgãos humanos sabe que a melhor maneira de os preservar é embrulhá-los em película aderente. Bolsas para documentos também são giras, mas o sangue fica todo depositado no fundo, e com uma bexiga um bocadinho mais dilatada aquilo rebenta tudo. Já dizia Cervantes: ‘Consegues lá meter vinte páginas de texto, mas tenta lá meter uma bexiga e vê o que acontece’.’ RC